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Acolhimento e persistência marcam o início da trajetória de Thaíse na Medicina

Nesta série de três matérias especiais, apresentamos trajetórias de estudantes do primeiro ano de Medicina da PUC-SP que enfrentaram desafios, encontraram apoio e transformaram o primeiro semestre em uma experiência de crescimento

Via J.PUC


18/08/2026


Ingressar em um curso de Medicina já representa uma mudança profunda na vida de qualquer pessoa. Para Thaíse Bonifácio Jorge, de 18 anos, o começo dessa jornada trouxe desafios adicionais. Aprovada por meio do Programa Universidade para Todos (Prouni), ela ingressou na Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde (FCMS) da PUC-SP neste ano, porém, depois dos demais colegas, em razão do período necessário para a análise da documentação.

Um sonho fortalecido pela própria história

Nascida e criada em Limeira, no interior paulista, Thaíse mudou-se para Sorocaba para cursar Medicina. Antes de ingressar na PUC-SP, formou-se técnica em Enfermagem pelo Colégio Técnico da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), experiência que reforçou sua escolha pela área da saúde.

O desejo de tornar-se médica surgiu ainda na infância, mas ganhou novo significado aos 13 anos, quando perdeu a mãe. A experiência dolorosa, segundo a estudante, transformou sua percepção sobre a profissão.

“Em vez de me fazer desistir, a perda fortaleceu ainda mais a minha vontade de ser médica. Passei a enxergar a Medicina como uma forma de cuidar das pessoas em momentos tão delicados quanto aquele que marcou a minha vida”, diz.

Desafios enfrentados no ingresso tardio

A chegada na faculdade após o início do ano letivo despertou em Thaíse preocupações que iam além do conteúdo já ministrado: ela precisava compreender a rotina acadêmica, adaptar-se à metodologia de ensino e encontrar seu lugar em uma turma na qual os primeiros vínculos já começavam a se formar.

Ou seja – a mudança de cidade, a saudade de casa, a necessidade de acompanhar o conteúdo acumulado e a adaptação à aprendizagem baseada em problemas (conhecida pela sigla PBL) exigiram dela um esforço adicional.

Thaíse relembra que nas primeiras tutorias, sentia dificuldade para participar das discussões. Afinal, além de aprender e adaptar-se ao PBL, ela precisava organizar os estudos e recuperar os conteúdos trabalhados antes de sua chegada. “Muitas vezes, eu sabia menos do que gostaria e acabava falando pouco. Isso me deixava bastante insegura”, recorda.

“Eu tinha receio de não conseguir acompanhar as matérias e de não encontrar meu espaço, porque os grupos já pareciam formados”, conta. A insegurança, no entanto, começou a diminuir com o apoio de outros estudantes que ingressaram no mesmo período e com a receptividade dos colegas que frequentavam as aulas desde o início.

“Foram eles que me apresentaram a faculdade, explicaram como tudo funcionava e me ajudaram a me sentir pertencente desde os primeiros dias”, afirma. Thaíse também construiu, com os alunos que chegaram mais tarde, alguns dos vínculos que hoje considera mais importantes em sua trajetória universitária.

Uma rede de apoio dentro da FCMS

O acolhimento foi decisivo para que a estudante recuperasse oportunidades que julgava ter perdido. Quando começou o curso, as aulas inaugurais das ligas acadêmicas já haviam sido realizadas. Ainda assim, com o auxílio dos colegas, ela conseguiu ingressar nas ligas de Ginecologia e Obstetrícia e de Cirurgia Cardiovascular, duas áreas pelas quais já demonstrava interesse.

Outro momento importante foi a recepção continuada promovida pelo Centro Acadêmico Vital Brazil para os alunos que ingressaram após o início do semestre. A iniciativa ajudou Thaíse a compreender melhor a organização da FCMS e as possibilidades oferecidas ao longo da graduação.

“Eu ainda tinha muitos pontos de interrogação sobre a rotina acadêmica. Assim, a recepção foi um espaço de acolhimento e fez toda a diferença para que eu entendesse onde estava e como poderia aproveitar essa nova fase”, relata.

A estudante também participou de um encontro promovido pela Ubuntu, coletivo formado por bolsistas. A troca de experiências com alunos de diferentes turmas mostrou que muitas das dificuldades enfrentadas por ela também faziam parte da trajetória de outros estudantes. “Poder compartilhar a nossa história, ouvir outras vivências e perceber que tantos desafios eram comuns criou um sentimento muito forte de pertencimento”, afirma.

Confiança construída ao longo do semestre

Já neste início de segundo semestre, Thaíse percebe mudanças importantes em sua rotina. Ela afirma que conseguiu compreender melhor a dinâmica do PBL, organizar os estudos e participar das discussões com mais segurança.

“Quando olho para trás, vejo o quanto evoluí em poucos meses. Cada dificuldade — chegar depois, mudar de cidade, adaptar-me à metodologia e lidar com a saudade — contribuiu para que eu me tornasse mais resiliente”, avalia.

O início desafiador deu lugar à certeza de pertencimento e à convicção de que a escolha profissional estava correta. Para Thaíse, o avanço não foi construído de forma solitária, mas com o apoio de colegas, estudantes veteranos, entidades acadêmicas e pessoas que ajudaram a tornar a adaptação menos difícil.

“Hoje, tenho certeza de que escolhi o caminho certo e sou muito grata a todas as pessoas que fizeram parte dessa trajetória de acolhimento e adaptação”, conclui.


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